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Caminho até Singapura

Antes de entrar na faculdade eu não tinha ideia alguma do que fazia um engenheiro Florestal. E hoje eu acho que continuo tendo a mesma ideia pois eu jamais sonhei fazer o que estou fazendo e acho não há limites de atuação para os profissionais dessa área.


Em 2001 quando prestei vestibular a primeira vez estava na dúvida entre biologia e medicina veterinária. Como não passei na universidade que eu gostaria pra nenhum dos cursos resolvi tentar mais uma vez no ano seguinte enquanto terminava meu estágio profissionalizante de Tec. Em Química no ano de 2002.


Fazendo cursinho fui recomendado a fazer um teste vocacional e entre Eng. Florestal, Ambiental, Medicina Veterinária e Biologia o psicólogo disse que eu que teria aptidão e poderia ser feliz em qualquer uma delas. Achei que tinha perdido dinheiro da consulta por ouvir isso mas muitas vezes você precisa ouvir o óbvio.


Escolhi prestar Eng. Florestal na maioria das universidades naquele ano e acabei optando por cursar Eng. Florestal na ESALQ/USP dentre as opções que fui aprovado.

 

Como mencionei eu não sabia muito o que fazia um engenheiro florestal mas o meu objetivo antes de iniciar o curso era proteger e recuperar as Florestas naturais. É claro que esse objetivo é contemplado dentro dos ensinamentos dessa profissão mas com o tempo as coisas tomam diferentes rumos e no fundo você descobre que pode ajudar mesmo que indiretamente nessa missão de preservar as florestas sendo um bom profissional em outros ramos da Florestal.

 

Durante quase 4 anos do curso acabei focando na área acadêmica sendo bolsista num projeto de iniciação científica num laboratório patrocinado por uma grande empresa de celulose papel num trabalho focado na alteração genética de plantas modelo e o efeito dessa transformação na fotosíntese e composição química das plantas transformadas. Paralelo a isso através da influência de colegas também participei do Grupo Pet Biotecnologia Agrícola que alem dos assuntos relacionados ao próprio nome me ensinou mesmo a trabalhar em equipe e pude aprender princípios básicos da gestão corporativa. É….. pensando bem isso tudo não parece tão legal assim e realmente pra mim não era. Não me arrependi de ter feito nada disso mas talvez eu teria ficado menos tempo se eu soubesse o que viria pela frente.

 

Enfim durante esse período que estava tocando esses projetos sempre acompanhei colegas da minha turma da Eng. Florestal que faziam estágio no Grupo Florestal Monte Olimpo. No começo eles pareciam como meros trabalhadores braçais mas com o tempo fui entendendo que tinha muito… mas muito mais mesmo além disso. Fiquei namorando esse estágio por quase 1 ano pela inspiração trazidas pelos colegas e por um professor em especial finalmente antes tarde do que nunca resolvi pedir oportunidade de participar. Comecei no final do meu penúltimo ano em 2006 e apesar de curta participação achei bastante intensa.

 

Participei junto com um alunos visitantes do MT de um projeto de implantação de uma Área de Preservação Permanente, plantei e cuidei de um pomar de espécies frutíferas, dirigi trator, cuidei de casa de vegetecao, fiz estacas de mudas de eucalipto, carpi mudas de E. nesophylla que eu eu nem sabia que existia antes, ajudei na implantação de um Teste de Uso Múltiplo de espécies de eucalipto, plantei café sombreado e fiz desarma em Teca. Naquele momento eu não tinha ideia alguma que está atividade iria ser tão próxima a mim mais tarde. Participei também de exposições agropecuarias com o grupo e tive oportunidade de estar em contato com produtores rurais que queriam plantar eucalipto “Sao Teodoro” que sabíamos ser Citriodora mas que apesar de engraçado o engano saber o nome exato da espécie não o mais importante mas sim como produzir uma madeira da maneira mais eficaz para um determinado uso. Após esse período enriquecedor de conhecimento tive uma excelente oportunidade para fazer o meu estágio final profissionalizante numa grande empresa de celulose e papel no estado do Espírito Santo onde realizei um trabalho de avaliação do desempenho operacional de diversas atividades de silvicultura. Foram 6 meses em que realmente pude ter uma visão pratica e consolidar tudo que tinha aprendido nas aulas de graduação e no estágio do GFMO. Além do mais tive contato com um verdadeiro ambiente corporativo das grandes empresas do setor. Com a apresentação desse estagio estava concluído o Curso de Engenharia Florestal. Então vinha o desafio do emprego. Um pouco antes ainda do diploma nas mãos já iniciei a jornada dos cadastro para vagas e processos seletivos.

 

Dentre todos e-mails e cadastros feitos 2 processos para vaga de Trainee caminhavam bem. Um para um empresa de porte médio que produzia madeira de uma espécie pouco conhecida no mercado e outro de uma empresa muito grande de pinus e eucalipto no Paraná. Quando fui selecionado para a primeira a segunda me chamou para a fase final do processo que seria painel com os gestores. Fiquei com uma grande dúvida se deveria tentar ir na fase final da empresa grande sendo que não conseguiria iniciar o emprego na outra no prazo combinado. Foi então que resolvi pedir um conselho profissional para o professor que tinha me inspirado e me dado grandes oportunidades até ali. E para minha surpresa ele sem titubear me aconselhou a ficar na empresa média. Feliz escolha.

Na trajetória dentro dessa excelente cia tive a oportunidade de ter diferentes experiências. Enquanto trainee passei pela Indústria, Meio Ambiente, pesquisa e Inventário. Com o programa de trainee finalizado antes do tempo acabamos indo para o verdadeiro jogo. Supervisor de Manutenção Florestal tive oportunidade de realmente de voltar a “Desramar a Tectona grandis” como nunca.

 

A vantagem de uma empresa de médio porte e que você acaba fazendo de tudo um pouco e como gestor você se sente obrigado a se aprofundar em assuntos que antes você nem imaginava precisar. Contabilidade, financeiro, tributário, jurídico e por aí vai. Os mais diversos assuntos de administração que talvez seja o que falta um pouco no cursos de Florestal. Continuando a história por aqui depois de morar numa fazenda de teca e cuidar das florestas com idades de 9 a 15 anos foi a vez de ir para a Colheita Florestal. E em mais 3 anos lá estava eu na Gerência de Logistica e Exportação. Sim os departamentos eram ligados pois como o principal destino da teca é o mercado externo na forma de toras ou madeira serrada bruta praticamente toda a cadeia e voltada para a exportacao. Aí comecei a dar valor nas aulas de inglês que apesar da falta de fluência me ajudaram muito.

 

Tá mas só uma dúvida? Engenheiro Florestal trabalhando com logistica focada para exportacao. Sim isso mesmo. E garanto que você tem muita coisa pra colaborar nesse processo por ter estudado essa ciência. Bem depois de um tempo cada vez mais entendendo o que é custo-Brasil e enfrentado a falta de infraestrutura logística do nosso país e alguns testes em diferentes modais surgiu a grande oportunidade na carreira. Expandir o mercado de teca na Ásia morando no Oriente.

 

Jamais imaginei como engenheiro Florestal vir parar tão longe e virar um Gerente de Vendas. Ca estou em Singapura já há quase dois anos tendo oportunidade de conhecer um pouco da cultura oriental e vender a teca brasileira na China, Malásia, Tailândia, Indonesia, Vietnam e India. Os ingleses pegaram a nossa seringueira trouxeram para Malásia e o país virou o maior produtor de borracha. Nos pegamos a teca da Ásia trouxemos para o Brasil e hoje o país se não ainda líder está no caminho para se tornar um dos maiores exportadores de teca do mundo. Fico feliz em fazer parte dessa história aprendendo a vender teca de reflorestamento por aqui. Essa é só uma de tantas histórias da formidável profissão da engenharia florestal.

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